domingo, 28 de fevereiro de 2010

Leonardo Prudente, o homem da meia, renuncia

Agência Brasil 


O deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido), ex-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, apresentou há pouco sua carta de renúncia ao cargo.

O documento foi protocolado por um funcionário do gabinete de Prudente e agora precisa se lida em plenário durante uma sessão.

Prudente é acusado de receber propina do suposto esquema de corrupção que seria comandado pelo governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido), preso na Polícia Federal por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O parlamentar foi filmado colocando maços de dinheiro nas meias e nos bolsos do casaco.

Com o escândalo, Prudente pediu desfiliação do DEM para não ser expulso da sigla e também se afastou da presidência da Câmara Legislativa.

Agora, ele renunciou ao mandato para não ser cassado e perder os seus direitos políticos. Isso porque a Comissão Especial da Casa havia aprovado a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar.

Na carta de renúncia, Prudente diz que está renunciando para que "as prerrogativas do cargo não interfiram nas investigações (da Polícia Federal) e as apurações sejam feitas com isenção". O governador afastado foi preso justamente sob a acusação de tentar subornar uma testemunha do esquema de corrupção.

Prudente também reafirmou que o dinheiro que aparece colocando nas meias e nos bolsos, dentro do gabinete do ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF Durval Barbosa, autor das denúncias contra Arruda, parlamentares e empresários, não era de propina. Segundo ele, trata-se de recursos não contabilizados de campanha.


Em Cuba, Lula lamenta morte de preso e nega ignorar dissidência

da Folha Online
da France Presse, em Havana 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em Havana, que lamenta "profundamente" a morte do preso político cubano Orlando Zapata, morto ontem (23) após dois meses e meio de greve de fome. "Lamento profundamente que uma pessoa tenha morrido por greve de fome", disse Lula à agência de notícias France Presse quando ia do hotel para o Palácio da Revolução, para se reunir com o presidente cubano, Raúl Castro.
Ricardo Stuckert/Efe/PR
O presidente Lula aparece sorrindo ao lado do ex-ditador cubano Fidel Castro em foto de fonte oficial; ele negou ignorar dissidência
O presidente Lula aparece sorrindo ao lado do ex-ditador cubano Fidel Castro em foto de fonte oficial; ele negou ignorar dissidência
Lula garantiu não ter recebido nenhuma carta pedindo sua intervenção na libertação de presos políticos cubanos, e lamentou a versão de que obteve uma "carta impressa" neste sentido. "Se as pessoas se dirigissem à embaixada brasileira [...], se tentassem entrar em contato comigo, jamais deixaria de atendê-las. O que não posso é chegar a um país e me reunir com um grupo de pessoas que disseram que falaram comigo quando não falaram", afirmou o presidente brasileiro.
"A solidariedade faz parte da minha vida e nunca deixo de tratar destes assuntos", disse.
Pelo menos 50 presos políticos pediram ao presidente brasileiro, em uma carta aberta, que intercedesse pela libertação dos dissidentes cubanos e se envolvesse no caso de Zapata, um pedreiro negro de 42 anos detido em 2003 e condenado a 32 anos de prisão por "desacato" ao governo e "desordem pública".
Na carta, os dissidentes presos também destacam que Lula "seria um magnífico interlocutor" para se obter do governo cubano "as reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente requeridas" na Ilha.
Segundo Berta Soler, do grupo das Damas de Branco, Zapata "já está morto, mas ainda há muitos presos políticos doentes que deveriam estar em suas casas pois não fizeram nada". "Vamos ver se Lula se interessa por isto."
Em entrevista publicada hoje pelo jornal "O Globo", o dissidente cubano Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, afirmou que Lula é cúmplice na violação contra direitos humanos ocorrida na ilha. "Respeitamos e amamos o povo brasileiro, mas o governo Lula não deu nenhuma palavra de solidariedade para com os direitos humanos em Cuba. Tem sido um verdadeiro cúmplice da violação dos direitos humanos em Cuba", disse.
Zapata, 42, considerado "prisioneiro de consciência" pela Anistia Internacional, morreu em um hospital de Havana em decorrência de uma greve de fome iniciada em dezembro último, para protestar contra as condições carcerárias na ilha. O dissidente morreu no hospital Hermanos Ameijeiras, da capital, para onde foi levado às pressas, na noite de segunda-feira, procedente do hospital do presídio Combinado del Este, será sepultado ainda hoje, em Banes.
Hoje, o presidente inaugurou, ao lado de Raúl, obras do porto cubano de Mariel, remodelação financiada pelo Brasil para ilustrar a sua aliança estratégica com a ilha de governo comunista. Mais tarde, em inédito comunicado, o Ministério de Relações Exteriores cubano informou, em nome de Raúl, lamentar a morte de Zapata. No texto, o presidente negou haver tortura em Cuba e culpou os Estados Unidos pelo ocorrido.
O documento não explica como os EUA seriam culpados pela morte de Tamayo. Cuba costuma, contudo, chamar os presos políticos de "mercenários" a serviço de Washington.
Em Havana, a delegação brasileira que acompanhou o presidente Lula afirmou que ele achou Fidel Castro, que não aparece em público desde julho de 2006 devido a problemas de saúde, "excepcionalmente bem". O grupo ainda distribuiu fotos nas quais Lula, Fidel e Raúl aparecem no jardim da casa oficial, com piscina.
Os jornalistas estrangeiros que trabalham em Cuba não foram autorizados a cobrir a visita de Lula, exceto pela chegada dele ao aeroporto.

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"El mundo es fuerte y bello por los amigos"

  

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E$$es trê$ $abem da$ coisa$

Augusto Nunes

Eleito presidente do PT, o companheiro sergipano José Eduardo Dutra prometeu recrutar os melhores e mais brilhantes do partido para a composição do diretório nacional. O Brasil soube há dias que essa tropa de elite, se depender de Dutra, será liderada pelos craques José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha. Os três veteranos armadores também são titulares absolutos do Bando dos 40, denunciado pelo procurador-geral da República e instalado pelo Supremo Tribunal Federal no banco dos réus reservado aos protagonistas do escândalo do mensalão.
Por que Dutra estendeu acintosamente a mão amiga a três delinquentes juramentados?, quiseram saber os jornalistas.  “Primeiro, para mim, não existe esse termo, mensaleiros”, começou o legítimo herdeiro de Ricardo Berzoini. “Depois, é um orgulho fazer parte da chapa ao lado de Dirceu, Genoino e João Paulo”, tentou terminar. Os jornalistas insistiram no assunto, o entrevistado perdeu a paciência: “Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este, em que temos a pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência”.
Na abertura do trecho encimado pelo subtítulo Quadrilha, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Sousa fez um  didático resumo da ópera:
O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude. A organização criminosa ora denunciada era estruturada em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação. Pelo que já foi apurado até o momento, o núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno. Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido (um deles é João Paulo Cunha, copiosamente mencionado nas páginas seguintes), estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira. O objetivo desse núcleo principal era negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados”.
A releitura do texto permite enxergar as coisas com penosa nitidez. Enquanto o Brasil que presta faz escolhas baseado em biografias, a companheirada elege chefes pelo tamanho do prontuário. Basta retocar graficamente a última frase de José Eduardo Dutra para entender por que sente vontade de cantar o Hino Nacional quando vê a trinca por perto: “Não tem $entido pre$cindir da experiência de$$e$ companheiro$ num momento tão importante como e$te, em que temo$ a pré-campanha da mini$tra Dilma Rou$$eff à Pre$idência”.
É isso. Os bandidos já ensaiam a continuação da série ultrajante sem que o primeiro dos faroestes sequer tenha chegado ao fim.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The almost-lost cause of freedom

The Economist

Why is economic liberalism so taboo in socially liberal Brazil?

Getty Images
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Campos: a Brazilian liberal in London
“ADMITTING to liberalism explicitly,” wrote Roberto Campos, a Brazilian politician, diplomat and swimmer against the tide who died in 2001, “is as outlandish in a country with a dirigiste culture as having sex in public.” His observation still holds for Brazil, where economic liberals (in the British, free-market sense, not the socialistic American one) are as scarce as snowflakes. Government revenue as a share of GDP has risen steadily in the past decade, and is now closer to the level in rich European countries than that of Brazil’s middle-income peers. Despite this, none of the likely candidates in the presidential election due in October talks about cutting taxes. The two leading candidates are both on the tax-and-spend centre-left.
Brazil’s shortage of economic liberals is even stranger given the country’s history. In Chile economic liberalism was tainted by association with military rule. But Brazil’s 1964-85 military dictatorship chose an economic model built around state planning and restricted imports. It is necessary to go back to the 19th century, when Brazil’s then monarchy was briefly in thrall to Scottish economists, to find something like classical liberalism there.
One reason why liberals have been so muted since Brazil became a democracy again is that voting in elections is compulsory. This means that a large number of poor voters, who pay little tax but benefit from government welfare spending, help to push the parties in the direction of a bigger state. If the same system were to be applied to America, the Democrats might well enjoy a permanent majority.
Also, many of today’s leading Brazilian politicians played a part in the opposition to military rule. This world of intellectual and sometimes violent resistance was dominated by various shades of left-wing thought, seasoned with anti-Americanism (the United States welcomed the 1964 coup that brought the generals in). During the dictatorship today’s president, Luiz Inácio Lula da Silva, was a trade-union boss; his predecessor, Fernando Henrique Cardoso, was a Marxist academic. The front-runner in the presidential polls, José Serra (from Mr Cardoso’s Social Democrats), was an exiled former student leader. His main rival, Dilma Rousseff (from Lula’s Workers’ Party), was a Trotskyist.
That said, all of these people have proved to be pragmatists when in office. Mr Cardoso’s government, in which Mr Serra was health minister, mixed liberalism and social democracy in similar quantities to Tony Blair’s government in Britain. Lula’s, in which Ms Rousseff is his chief of staff, has continued in like vein.
What will happen when this generation is succeeded by a younger one? Carlos Alberto Sardenberg, a broadcaster and author of a recent plea to rehabilitate liberalism, called “Neoliberal, no. Liberal”, fears that Brazil’s schools and publicly funded universities are so ideologically skewed that their worldview is likely to reproduce itself in the next generation.
However, things may not be so bad. For a start, the institutions that carry out economic policy are more liberal, in the sense of being free from government interference, than they have been for a long time. The Central Bank is independent in practice if not in law and the real floats freely against other currencies. Since President Fernando Collor eased restrictions on imports in 1990 Brazil has become more open to trade. Just as in India, which saw a similar opening at the same time, companies have improved productivity as a result of foreign competition, and some big firms have expanded successfully abroad.
This recent advance has encouraged those who would like Brazil to move further in this direction to make more noise. The Liberty Forum, an annual gathering in the southern city of Porto Alegre, attracts the most dedicated members of this tribe. But they can also be found in the Movement for a Competitive Brazil, a lobby group founded by Jorge Gerdau Johannpeter, a steel baron; within the influential economics faculty of PUC-Rio, a university; and among the bankers and senior managers of Brazilian firms engaged in trade.

As in many democracies, Brazil’s liberals lack a party where their views are welcome. The fading Democrat party (previously called the Liberal Front) tried to become this, but struggled to escape its origins as an old-fashioned, pork-barrel, machine party. The latest blow to its attempt at transformation came in November when police launched an investigation into an alleged kickback scheme involving José Roberto Arruda, the Democrat governor of Brasília (he denies wrongdoing). Brazil’s small band of economic liberals, marginalised in politics, can console themselves that at least their country is among the most socially liberal. All sorts of religious minorities worship freely; São Paulo hosts the world’s largest gay-pride march. Cultural conservatives pushing in the opposite direction are disorganised and uninfluential. For now, though, people who want to practise economic liberalism are advised to do so in private. Roberto Campos’s critics often dismissed him as “Bob Fields”, an English translation of his name, implying his ideas were foreign. A politician pushing his ideas now would still be viewed as a bit eccentric.

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